Um dos trabalhados realizados pelo Programa Lagoas do Norte é contribuir para que as famílias que residem na sua área de abrangência possam ver, a cada dia, a violência mais distante de suas realidades. E as escolas da região, ambiente importante nesse contexto, tem recebido ações de monitoramento. Uma parceria com a Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas trouxe especialistas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flasco) para a realização de estudo e capacitação de profissionais.

 

As ações estão acontecendo em 11 escolas da área e inseridas no contexto do programa Vila Bairro Segurança, com os projetos “Educando para prevenir” e “Paz na escola”. As especialistas Miriam Abramovay, Ana Paula da Silva e Eleonora Figueiredo estão, desde o ano passado, desenvolvendo o projeto para sensibilizar os gestores, professores e a Guarda Civil Municipal sobre a questão. A equipe está elaborando um diagnóstico e planejando ações pontuais em cada unidade de ensino, além de um projeto geral para ser debatido e implementado junto aos alunos.

 

A intenção desse projeto é minimizar a ocorrência de violência nas escolas, melhorar o relacionamento entre os alunos, professores e gestores das unidades, diminuir os índices de evasão, repetência e abandono. Uma das estratégias é envolver esses agentes no planejamento e execução das ações.

 

“O Programa Lagoas do Norte vem desenvolvendo ações de enfrentamento à violência na região dos 13 bairros em que está inserido. Agora, nessa segunda fase do programa, contratamos a consultoria do Fórum Brasileiro de Segurança Pública para construir esse diagnóstico das escolas que servirá como base para a proposição de intervenções em cada uma das escolas. O objetivo principal é reduzir todas as formas de violências no ambiente escolar, propiciando que essas crianças e adolescentes desenvolvam suas habilidades e possam se tornar adultos com uma compreensão mais ampla de vida”, afirma Márcio Sampaio, diretor do Lagoas do Norte.

 

Já na sua segunda etapa, esse projeto está promovendo uma capacitação em Convivência Escolar e Metodologia de Intervenção. Nessa fase, grupos de servidores foram divididos e foram às escolas para a coleta de informações, a partir de entrevistas com alunos, professores e diretores, além de observações do ambiente escolar. Os resultados apresentados indicam, entre os alunos, a existência de casos de bullying, automutilação, agressão física e depressão.

 

“Pudemos constatar que as escolas têm muito boa infraestrutura, são bem cuidadas, de primeiro mundo, fora do contexto brasileiro. Percebemos também que os diretores estão interessados. Então, nossa ideia é um projeto de convivência escolar porque sabemos que a violência se dá no cotidiano e através das relações sociais”, comenta Miriam Abramovay, coordenadora da Área de Juventude e Políticas Públicas da Flasco e doutoranda na École Doctorale EPIC – Education Psychologie Information et Communication – Université Lumiere Lyon 2, França.

 

Ela explica que, a partir desse diagnóstico das escolas, será proposta uma intervenção específica para cada unidade de ensino. “Pode ser que numa escola seja necessário que se coloquem monitores na hora do recreio para coordenar atividades com os alunos, evitando que eles brinquem de forma violenta, por exemplo”.

 

Investimentos vão além das obras

Já em sua segunda fase de execução, o Programa Lagoas do Norte vem realizando projetos não apenas na área de infraestrutura, mas também em educação, assistência social, modernização da gestão pública e diversas outras áreas. O objetivo é melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem na sua região de abrangência.

 

Além dessa intervenção para melhoria do ambiente escolar, o Programa Lagoas do Norte fez a reforma da Casa Punaré. O espaço, situado no bairro Parque Alvorada, e coordenado pela Semcaspi recebe adolescentes do sexo masculino que estão em situação de vulnerabilidade e violência. Lá, eles são atendidos por uma equipe multidisciplinar e participam de monitorias nas áreas de esporte, arte e lazer. A reforma foi finalizada recentemente e o prédio recebeu novos espaços para o trabalho junto às crianças, como uma sala de escuta, biblioteca e banheiros adaptados. A obra custou R$ 469.427,57.

 

Também pensando na empregabilidade de homens e mulheres que vivem na região, o Programa Lagoas do Norte estabeleceu uma parceria com a Fundação Wall Ferraz e está ofertando dois cursos de capacitação na área da construção civil: pintor de obra e aplicador de revestimento cerâmico. São 50 vagas, sendo 25 para cada curso, destinadas a homens e mulheres que residem na área de abrangência do programa. Os cursos têm o objetivo de capacitar essas pessoas para que elas trabalhem em obras que estejam sendo realizadas na própria região onde vivem.

 

Os (as) interessados (as) precisam ter pelo menos 18 anos, ensino fundamental incompleto, residir nos 13 bairros compreendidos pelo PLN e estar desempregado. No ato da inscrição, é necessário que o candidato apresente a cópia da carteira de trabalho e comprovante de que reside nos bairros atendidos pelo Lagoas do Norte (Acarape, Aeroporto, Alto Alegre, Itaperu, Mafrense, Matadouro, Mocambinho, Nova Brasília, Olarias, Parque Alvorada, Poti Velho, São Francisco e São Joaquim).

 

O curso de pintor de obras terá um total de 80 horas/aula e acontecerá no prédio da administração do Parque Lagoas do Norte. Já o curso de aplicador de revestimento cerâmico será ministrado no Centro de Capacitação do bairro Parque Alvorada e totalizará 140 horas/aula. As inscrições podem ser realizadas nos próprios locais das aulas até o dia 11 de março.

 


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