Nesta quarta (8), é celebrada a chegada da primeira câmera fotográfica no Brasil, em 1839. Em tempos de fotografias instantâneas feitas em aparelhos celulares, muitas técnicas usadas, como a revelação de imagens em filmes negativos, foram deixadas de lado. Apesar disso, guardar álbuns de fotografia ainda é uma prática popular que faz dessa arte um importante instrumento de memória, além de uma grande forma de expressão artística.

A história conta que a técnica surgiu da integração de vários processos e conceitos, como a ideia da câmara escura desenvolvida por Giovanni Batista della Porta, até chegar na fotografia que conhecemos hoje. Por consequência das lentes objetivas e pelos olhares curiosos e apurados dos fotógrafos, a fotografia é considerada uma das maiores invenções da modernidade.

Hoje, encontramos um estúdio em cada esquina, mas no passado, quem dominava essa arte eram os grandes profissionais de lambe-lambe que ocupavam as praças de Teresina. Na época, o método usado era lamber as fotos a fim de identificar se ainda restava algum resquício do sal fixador usado no momento da revelação.

“Eu lembro de ir ao centro para tirar os retratos, sentava em um banco na frente do fotógrafo, esperava um tempinho e saía com a foto na mão. Parecia mágica o que eles faziam naquela máquina”, relembra a aposentada, Maria do Socorro, de 69 anos. Atualmente, os processos de revelação simplificaram e, para capturar uma imagem, basta possuir um aparelho celular com essa funcionalidade. Entretanto, os profissionais dessa área trabalham bastante o olhar para realmente fazer uma fotografia, ou seja, escreverem com a luz e dela fazerem arte.

Em 2019, a Prefeitura de Teresina, por meio da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves (FMC), realizou o Fotografe Teresina 167 anos. O concurso tinha como propósito dar visibilidade para os trabalhos fotográficos realizados por profissionais e amadores. Além desse, há muitos outros projetos de incentivo à produção fotográfica, bem como oportunidades para exposições nos espaços culturais da cidade.

“Vivemos rodeados de imagens e, quando desenvolvemos projetos como o Fotografe Teresina 167 Anos, queremos dar visibilidade a esses artistas, mostrando para as pessoas como o mundo pode ser observado e retratado por meio de diversas perspectivas”, diz Abiel Bonfim, superintendente da FMC.

O fotógrafo profissional e designer, Jairo Moura, possui inúmeros trabalhos artísticos-documentais na carreira. Através de suas lentes, ele retrata a realidade e a transforma em arte. “Fotografar, para mim, é eternizar momentos e mostrar o mundo através da minha percepção”, afirma.

Seja através dos álbuns de família, das antigas cabines fotográficas, das fotos 3×4, dos lambe-lambes, dos filmes negativos ou pela foto colorida, todo mundo possui uma memória referente à arte da fotografia. Dessa forma, neste 8 de janeiro, registramos a importância dessa arte e de seus artistas para a humanidade através deste texto.