No início do ano letivo, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) faz um alerta. Alunos que costumam não ter bom desempenho escolar podem estar com algum transtorno de aprendizagem. Para garantir tratamento específico a esse público, a Prefeitura de Teresina mantém o Centro Municipal de Atendimento Multidisciplinar (CMAM), serviço de saúde pioneiro na região Nordeste e que tem como público alvo crianças e adolescentes de escolas públicas municipais.

Em 2019, o Centro realizou 15.433 atendimentos médicos e terapêuticos a alunos com transtornos de aprendizagem. Foi o caso do Francisco Joaquim, de 6 anos, diagnosticado com déficit de atenção e hiperatividade. “Ele não tinha atenção na escola e não aprendia a ler. Com acompanhamento, está bem melhor. A mãe dele tinha os mesmos sintomas quando criança, mas não percebi na época”, conta a avó Cleonilda do Nascimento.

O presidente da FMS, Charles Silveira, explica que a Fundação se preocupa com a saúde mental dos pequenos e o seu desenvolvimento escolar.  “Por isso, a FMS e a Secretaria Municipal de Educação (SEMEC) da capital piauiense uniram esforços para criar o CMAM,  que favorece o desenvolvimento das crianças nos aspectos psicológicos, afetivos, sociais e acadêmicos”, ressalta.

Para ter acesso aos serviços, as crianças e adolescentes com idade entre cinco e 16 anos devem ser encaminhadas pela rede pública de ensino de Teresina, com suspeita de algum transtorno de aprendizagem. “O Centro oferece atendimento completo, contando com neuropediatra, psiquiatra, psicólogo, psicopedagogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e assistente social”, ressalta a coordenadora do Centro, Daniela Escórcio.

O psiquiatra do Centro, Francisco de Brito,  explica que há vários transtornos de aprendizagem que acometem crianças e adolescentes e que são recorrentes no CMAM. “O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) trata-se de uma dificuldade na questão da concentração, com variante desatento, hiperativo/impulsivo ou misto. Há outras demandas atendidas, a exemplo de dislexia, disgrafia, discalculia e disortografia.”

O médico afirma ainda que é preciso ter cuidado para que a situação do aluno que tem dificuldade nas habilidades escolares não seja agravada.  “Ele evolui de ano e o aprendizado pode ficar defasado. O familiar tem que compreender a situação, que não é falta de vontade ou gênio ruim da criança. É dificuldade e estamos no CMAM para reabilitá-los, para que acompanhem os outros da mesma idade no aprendizado”, finaliza.