Teresina recebe, no próximo dia 23, o lançamento do livro “Mulheres de Cinema” com a organização de Karla Holanda, diretora do filme Kátia (2012), um documentário que traz a história da primeira trans a ocupar um cargo político no país, a piauiense Katia Tapety. O evento acontece na Oficina da Palavra, a partir das 19h, com um bate papo sobre a obra com a organizadora, que traz um olhar diferenciado acerca da produção audiovisual.

O lançamento conta com parceria da Prefeitura de Teresina, por meio da Fundação Monsenhor Chaves, e visa ampliar as discussões sobre a produção audiovisual e a participação da mulher. O livro reúne histórias do cinema mundial sob uma perspectiva inédita, que é a feminina. A organizadora é autora também de ‘Feminino e Plural: Mulheres no cinema brasileiro’, livro que se tornou referência no assunto, tendo sido indicado ao Prêmio Jabuti em 2018. A nova coletânea da autora se propõe a pensar onde estavam as cineastas em determinados períodos em que a história do cinema canonizava diretores e suas obras, e discutir os filmes realizados por elas.

A publicação aborda ainda as frentes de pensamento que essa filmografia abre, nas dimensões histórica, teórica, estética, política, ética, humana – tudo isso reunido em um só volume. Ao analisar a participação das mulheres como diretoras em inúmeros países da América – em especial a Latina, da Europa, da África e da Ásia, abre-se espaço a cinematografias contra hegemônicas, pertencentes a contextos “menores”.

Karla Holanda é piauiense natural de Parnaíba e uma das mais importantes pesquisadoras sobre participação feminina na produção audiovisual. Professora e atual chefe do Departamento de Cinema e Video da Universidade Federal Fluminense, é doutora em Comunicação (UFF), onde estudou a produção documentária independente, centrando-se no Programa DocTV; é mestra em Multimeios (Unicamp), onde desenvolveu pesquisa sobre o documentário feito no Nordeste. Seu campo de interesse de pesquisa gira em torno de documentário, autoria feminina, televisão, produção independente, regionalização. Através do Grupo de Pesquisa Documentário e Fronteiras, do qual é líder, desenvolve os projetos de pesquisa Documentário de autoria feminina no Brasil e Cartografia do documentário brasileiro, que resultou no Catálogo Documentário Brasileiro (documentariobrasileiro.org). Como cineasta, recebeu alguns prêmios de fomento e em festivais. Dirigiu o longa Kátia (2012) e os curtas Vestígio (2002) e Riso das Flores (2004), além de uma série de documentários sobre escritores brasileiros (1992-1999), dentre outros.