Neste sábado (15), a partir das 16h, acontece o Corso do Zé Pereira de Teresina, o maior desfile de caminhões enfeitados do planeta, segundo o Guinnes Book. Mais do que caminhões na avenida, a festa carrega a alegria e irreverência do teresinense, além de tradição e história do carnaval na cidade. De protesto social à folia, o evento vem passado por transformações sem perder a sua essência.

Promovido pela Prefeitura de Teresina, por meio da Fundação Monsenhor Chaves, o Corso do Zé Pereira de Teresina entrou para o Guinnes Book em 2012, registrando a marca de 343 veículos decorados no desfile, recorde que consta na publicação até hoje. Além dos carros enfeitados, a festa conta com milhares de pessoas fantasiadas, bandas espalhadas pelo percurso, além de muita alegria e irreverência resgatando a tradição dos antigos carnavais.

Quando se fala em corso de Teresina, hoje se pensa muito em uma multidão de carros e pessoas fantasiadas desfilando alegria. A multidão é de se perder de vista, mas nem sempre foi assim. O evento iniciou de uma forma bem diferente, em tom de protesto e com uma crítica social à elite teresinense na época, há cerca de 80 anos.

A história do corso se confunde com a própria história do carnaval de Teresina, que teve momentos gloriosos nas décadas de 1950 e 1960 e passou por uma revitalização no final da década de 1980.

O coordenador de Cultura Popular da Fundação Monsenhor Chaves, Wellington Sampaio, explica que na década de 1930 começaram os primeiros desfiles de carros no carnaval, mas somente nas décadas de 1950 e 1960 que a festa virou tradição. “Eu era criança e lembro que meu pai tocava no corso. Inicialmente o ponto central era no coreto da Praça Rio Branco. Depois, os grupos de familiares e amigos passaram a desfilar pelas ruas do centro da cidade. Um dos destaques era o caminhão das raparigas, em que as garotas de programa da época vestiam suas melhores roupas e eram aplaudidas pela sociedade, em uma espécie de inclusão social que só o carnaval tornava possível acontecer”, detalha.

Segundo Wellington, nessa época o corso acontecia nos dias do carnaval. No entanto, a festa não conseguiu ter continuidade por causa da concorrência com outras manifestações carnavalescas. “Nesse tempo surgiram as escolas de samba e os blocos carnavalescos, que acabaram esvaziando o corso, que acabou deixando de acontecer”, afirma.

E por muito tempo o corso permaneceu esquecido, voltando somente no final dos anos 90, com a retomada do carnaval de rua, na primeira gestão do prefeito Firmino Filho. Em 1997, durante o Seminário de Resgate do Carnaval de Teresina, o então superintendente da FMCMC, José Afonso de Araújo Lima, sugeriu a volta do corso, que agora seria realizado no sábado de Zé Pereira.

A ideia vingou e em 1998 o carnaval da capital foi resgatado com o desfile das escolas de samba, tendo também a realização do corso, com um percurso que passava pelo centro, zona Sul e zona Norte. Nos anos seguintes, o trajeto teve várias alterações e a premiação dos melhores caminhões era feita através de votação popular.

A partir de 2008 o evento começou a se tornar o gigante que é hoje, tanto que a prefeitura começou a ter problemas na condução do percurso e teve que fazer adaptações. “Lembro que nesse ano nós iríamos encerrar o desfile na Praça do Marquês, mas percebemos que o corso estava grande demais e não teria como dispersar lá. Então tivemos que percorrer mais vias da zona norte para organizar a saída”, explica Wellington.

E foi no ano de 2011 que a festa começou a ganhar status de maior do mundo. Tamanho foi o sucesso do corso, que no ano seguinte, em 2012, o título foi comprovado com a vinda de um representante do Guinness Book, o livro dos Recordes, que registrou a marca de 343 veículos decorados no desfile, número que consta na publicação até hoje.

E após o Guinnes, o evento passou por várias melhorias, se tornando ainda um dos eventos mais seguros da capital devido ao intenso trabalho das Polícias Militar, Civil, Guarda Municipal e um plano de segurança reforçado de tecnologia com monitoramento dos foliões e patrulhamento, sem contar com o principal: a vontade do folião em curtir a festa sem surpresas desagradáveis.