Em Teresina, as mulheres estão ganhando protagonismo ao mostrarem sua capacidade de liderança. Na gestão pública essa situação não é diferente. Na Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves (FMC), por exemplo, dentre as várias coordenações nos projetos desenvolvidos, a Fundação conta com nove mulheres liderando suas casas, o que reforça o compromisso da gestão com as pautas sociais de inclusão e representatividade.

De acordo com o presidente da FMC, Luís Carlos Alves, a presença feminina por trás dos espaços culturais vem agregando características fundamentais para o desenvolvimento artístico-cultural em Teresina. “A cultura de Teresina é bastante plural e termos mulheres nas diretorias das nossas casas possibilita que elas possam levar suas vivências, desempenhando suas capacidades que só fortalecerão o nosso diálogo com toda a sociedade”, afirma.

À frente do Palácio da Música, um importante equipamento sócio-cultural da cidade, está Adnayane Marins, de apenas 28 anos. Formada em Pedagogia, iniciou o seu trabalho na casa exercendo a função de secretária e, há três anos, está gerenciando o Palácio que, ao longo dos anos, oferece espaço para grandes artistas locais, além de promover cursos para jovens talentos. “Nós estamos conseguindo ocupar esses novos espaços. Não temos mais só as mulheres donas de casa. Muitas trabalham, estudam e têm ‘n’ funções. Por meio desse esforço, elas conseguem espaço e o reconhecimento almejados por todas nós”, comemora Marins.

Quem também ocupa posição de destaque é Antônia dos Santos, coordenadora da Biblioteca Fontes Ibiapina pertencente à FMC. Na função há três anos, ela compõe um grupo de cinco mulheres que comandam algumas das principais bibliotecas públicas da cidade. Devido ao seu empenho, Antônia recebeu a oportunidade para ocupar um cargo de chefia sendo essa, considerada por ela, uma grande conquista. “Esse reflexo de uma sociedade machista deve ser derrubado. Nós somos extremamente inteligentes, capazes, esforçadas, dedicadas e atenciosas. Crescemos tanto que o ambiente domiciliar não nos basta mais. Ser mulher não é sinônimo de trabalho doméstico, mas sim, de luta, competência e determinação”, defende.

A pesquisadora na área de profissionalização de mulheres, Kamila Albuquerque, afirma que, com o crescimento de pautas feministas, as mulheres tiveram mais oportunidades de conquistar espaços no mercado de trabalho.  “As mulheres ocupavam atividades informais, não valorizadas, principalmente as atividades do lar, mas elas estão cada vez mais presentes nos espaços públicos através do processo de escolarização, principalmente em nível superior. Isso permitiu o ingresso delas em profissões antes consideradas masculinas”, comenta.