O professor de cardiologia da Universidade Federal do Piauí e presidente da Associação Piauiense de Medicina, Paulo Márcio, criticou neste sábado (28), durante conversa com o prefeito de Teresina, Firmino Filho, o isolamento vertical, que vem sendo incentivado por alguns setores nos últimos dias. O bate papo foi transmitido através de live nas redes sociais do prefeito municipal: Twitter @firmino_filho, Instagram @firminosfilho e Facebook.

O isolamento vertical é aquele em que apenas os grupos de risco, como idosos, pessoas com problemas pulmonares e doenças crônicas, ficariam de quarentena, enquanto as demais pessoas voltariam às suas atividades normais. Para o médico, essa não é uma forma eficaz de conter o avanço do novo coronavírus. “Quando você isola uma pessoa do grupo de risco, mas libera seus netos e filhos para irem à escola e ao trabalho, eles se contaminam e levam o vírus para o local de confinamento do idoso, por exemplo. Se nós afrouxarmos as regras de isolamento social, vai acontecer o que aconteceu em Milão, que agora seu prefeito está pedindo desculpa”, afirmou.

Para o médico, a única forma eficaz de impedir que o coronavírus continue se disseminando é o isolamento horizontal, ou seja colocar em quarentena toda a população. “Nós não temos cura para a doença, não temos vacina, o remédio é se isolar, é isolar todo mundo. Precisamos fazer uma quarentena como a maioria dos países do mundo está fazendo, como todos os países do mundo que tiveram sucesso no combate ao vírus fizeram”, disse.

Paulo Márcio afirmou ainda que os próximos 15 dias serão fundamentais para que possamos definir se teremos ou não bons resultados na luta contra a Covid-19. “Se depois disso vamos voltar a trabalhar, não dá para saber. Precisamos aguardar. O que sabemos é que esses 15 dias serão fundamentais para salvar vidas”, pontuou o médico, afirmando que este não é o momento para que as atividades normais sejam retomadas pela população.

“Nós venceremos esta virose, mas nós venceremos melhor ou pior dependendo da nossa atitude diante do problema. Precisamos agir de forma sincronizada, a minha proteção tem que acontecer porque eu fui protegido por alguém e eu protegi alguém também, nós estamos juntos nessa. Se houver essa compreensão de que eu não serei salvo sozinho, o nosso resultado será espetacular, mas se não compreendermos isso nós podemos viver um momento muito triste no país”, finalizou.