O prefeito Firmino Filho, em videoconferência na tarde desta quinta-feira (23) com representantes do clero de Teresina, fez um diagnóstico da situação da capital em relação ao coronavírus e afirmou a necessidade do engajamento da população para o enfrentamento da crise sanitária, reforçando a necessidade da permanência do isolamento social. Firmino fará essa explanação também com outras lideranças religiosas de Teresina.

De acordo com Firmino, todas as decisões tomadas pela gestão municipal neste momento de crise têm embasamento de especialistas. “O nosso entendimento é que as medidas de isolamento e a intensidade das medidas poupam vidas. O vírus, se nada for feito, tem uma progressão muito rápida. É uma coisa assustadora. Estamos praticando a política de isolamento, que traz sacrifícios para todos, mas, como estamos tratando de vidas, é necessário”, disse.

O chefe do executivo municipal informou ainda aos padres da Igreja Católica que o maior desafio das cidades neste momento é construir a maior quantidade possível de leitos clínicos, tendo em vista a possibilidade do pico da doença. “A Covid-10 é uma doença que representa um excesso de reação do corpo. Apenas 10 a 15% das pessoas infectadas vão apresentar sintomas, e cerca de 5% apresentam os sintomas mais graves. Do total de infectados, 5% pode precisar de leitos de UTI, o que é assustador. Por isso, estamos expandindo a nossa rede de assistência. Além da estrutura já existente, com as nossas Unidades Básicas de Saúde, Hospitais, UPAs, estamos montando hospitais de campanha. A gente deseja o melhor dos cenários, mas trabalhamos para o pior”, ressaltou Firmino.

Firmino destacou ainda que existe uma certa intolerância e impaciência com as medidas de isolamento por parte da população. “O fato de ainda não terem explodido casos na cidade, faz com que as pessoas achem que podemos afrouxar as medidas. Temos um comitê que está conversando com os setores econômicos, sindicatos patronais e de trabalhadores, que estão sendo ouvidos, para que a gente busque um protocolo de reinício das atividades. Mas isso só será feito se pudemos garantir a segurança de todos”, lembrou.

O prefeito informou ainda que estão sendo feitas pesquisas para identificar o grau de infecção da cidade. “E, de acordo com os resultados, iremos avaliar as medidas para aliviar a pressão do isolamento. O bom é que estamos recebendo uma quantidade maior de exames e, se o quadro ficar difícil, reeditaremos decretos, mas se houver luz no fim do túnel, poderemos ter abrandamento com o retorno de alguns setores. Estaremos atentos e torcendo por boas notícias para os próximos dias”, afirmou.

Os padres relataram sobre a realidade das regiões onde estão inseridas suas paróquias e informaram ao prefeito que percebem uma grande circulação de pessoas nos bairros e comércios, mas se mostraram otimistas com as medidas apresentadas por Firmino Filho. “Sabemos que os decretos são vistos como autoritários pela população, mas são necessários nesse momento tão difícil. Torcemos para que não tenhamos caos no nosso sistema de saúde, tenho fé que a gente não precisará usar essa estrutura extra que está sendo montada. Vamos em frente, sem medo”, falou o padre Tony Batista.