Na manhã desta segunda-feira (20), o prefeito Firmino Filho realizou uma videoconferência com lideranças comunitárias de Teresina para apresentar os resultados da quinta etapa da pesquisa de investigação sorológica realizada pela Prefeitura em parceria com o Instituto Opinar. O objetivo foi mostrar a situação da pandemia do novo coronavírus na capital e explicar medidas adotadas pela Prefeitura, além de esclarecer dúvidas dos participantes.

O prefeito explicou que a cada fase da pesquisa são testadas 900 pessoas. De acordo com os dados da quinta etapa, 32.961 pessoas estão infectadas com o novo coronavírus em Teresina. O resultado da primeira etapa, realizada há cerca de um mês, havia registrado 4.843 infectados. “É uma diferença significativa e que reforça as consequências do afrouxamento do isolamento social observados no começo de maio”, comentou Firmino.

Ainda de acordo com o prefeito, Teresina ainda não está em uma situação confortável em relação à contaminação pelo novo coronavírus. Ele justificou usando os dados do R0, que é uma média de contágios causados por cada pessoa infectada: quando ele está acima de 1, a doença tende se espalhar. “O R0 de Teresina está em 1,62, um número maior que os registrados nas duas últimas etapas da pesquisa. No mundo inteiro, as autoridades de saúde só recomendam a liberação do comércio e retorno às atividades quando o R0 está igual, ou menor, a 1. Esse é o ideal. É para isso que estamos trabalhando, para diminuir o R0 da nossa cidade, só assim poderemos respirar mais aliviados”, destacou o prefeito.

O prefeito também compartilhou levantamentos dos serviços de saúde em unidades da rede pública e privada. Firmino comenta que o crescimento do número de atendimentos a sintomas gripais já não pode ser associado apenas ao clima da cidade. “O nosso inverno acabou em abril e mesmo assim a ocorrência das síndromes gripais está crescendo no mês de maio. Isso nos leva a crer que esses sintomas podem ser realmente resultado do coronavírus”, afirmou.

Outra preocupação do prefeito está relacionada a taxa de ocupação de leitos na capital. Até o domingo, 110 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) dedicados a pacientes com o coronavírus em Teresina, seja em unidades de saúde públicas ou privadas, estavam ocupados. Apenas 55 leitos estavam livres. Já nos leitos de enfermaria para Covid-19, 206 estavam ocupados e 213 livres.

O prefeito também explicou novas medidas tomadas pela Prefeitura para combater os números e cuidar mais ainda da população. Está sendo construído um anexo no Hospital de Urgências de Teresina (HUT) com 60 leitos de UTI para pacientes com a Covid-19 e foram adquiridos 70 novos respiradores para equiparem esses leitos e outros. Também foi entregue o Hospital de Campanha Padre Pedro Balzi, sediado no centro de treinamento de Badminton na Universidade Federal do Piauí (UFPI), que conta com 86 leitos.

“Além disso, esta semana vamos enviar para a Câmara um projeto de lei para que possamos antecipar o feriado municipal referente ao dia Nossa Senhora da Conceição, comemorado no dia 8 de dezembro, para talvez esta sexta ou a próxima. A ideia é reforçar o isolamento, já que se observa um maior cumprimento nos feriados,” compartilhou Firmino. Ele também disse que está sendo analisada a possibilidade de se adotar rodízio de carros para diminuir o fluxo no Centro de Teresina e garantir o isolamento.

O gestor municipal também respondeu a questionamentos relacionados às barreiras sanitárias entre Teresina e Timon. “O Maranhão tem explodido o número de casos da doença, inclusive já foi determinado até lockdown. O vírus se espalha lá mais rápido do que no Piauí. Temos a pactuação com 17 municípios e vamos respeitá-la, existe solidariedade entre as cidades. Mas os pacientes deverão vir devidamente regulados pelo SUS, não de forma espontânea. O secretário de saúde do Maranhão informou que o estado tem autossuficiência em relação ao Covid-19 então não precisamos nos preocupar com isso. Vamos cuidar da nossa população”, acrescentou.

Outro questionamento está relacionado ao protocolo de tratamento dos pacientes com o novo coronavírus. Ele esclareceu que Teresina já adota um protocolo de uso de medicamentos, mas que a decisão final cabe ao médico, já que não há comprovação técnica e científica de um tratamento específico para a doença. “O medicamento existe nas UBSs, UPAs e hospitais municipais e caso o médico achar que é indicado, ele irá ministrar com todo um aparato de segurança e se o paciente estiver ciente dos riscos e aceite. A Prefeitura não pode ditar o que a população deve tomar nem o que o médico tem que prescrever. O paciente também não pode escolher o que quer tomar. A decisão é da pessoa que estudou para isso, ou seja, o médico”, disse.

O prefeito encerrou a reunião pedindo a colaboração das lideranças no combate à Covid-19. “Temos uma dívida muito grande com Teresina por ter confiado em nós para cuidar da cidade e da nossa gente, estamos trabalhando para isso. Não é uma gripezinha e muitas pessoas podem morrer se não fizermos o que é correto para preservar a vida. Peço ajuda das lideranças para que conversem com as comunidades e reforcem as orientações de higiene e do isolamento. Vamos vencer essa guerra”, finalizou