Desde o início da pandemia do novo coronavírus, os abrigos que receberam as famílias venezuelanas em Teresina vêm desenvolvendo diversas atividades informativas e de conscientização, acompanhamento em saúde e a aplicação de testes para detectar a doença. Atualmente, 163 venezuelanos ocupam os abrigos destinados pela Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas e 54 deles testaram positivo para a Covid-19. Um deles, paciente de 58 anos, veio a óbito e os demais 53 estão curados.

Em abril, a Semcaspi providenciou a transferência de 70 indígenas que estavam no abrigo CSU no bairro Buenos Aires para diminuir a aglomeração de pessoas e depois um outro espaço foi disponibilizado para receber famílias recém chegadas de outros estados, a fim de garantir um isolamento e testagem antes de adentrarem nos 3 acolhimentos disponíveis. “Desde o início da pandemia, as equipes dos abrigos de venezuelanos estão desenvolvendo uma série de ações de conscientização, com a distribuição de máscaras, produtos de higiene, exposição de cartazes na língua materna e palestras. A Semcaspi solicitou, junto à Fundação Municipal de Saúde (FMS), testes rápidos da covid-19. Uma primeira remessa de testagens foi feita em maio e outra em junho. Neste último, dos 78 testes aplicados, 54 deram positivados para a doença, que prontamente foram submetidos ao tratamento de saúde”, afirma Janaína Carvalho, secretária da Semcaspi.

Em uma destas ações, os migrantes receberam cartilhas informativas em sua língua materna “Warao” sobre cuidados e prevenção da doença. A distribuição das cartilhas ocorreu em uma palestra organizada pelas professoras Carmen Lima, Janaína Santos e Lílian Catenacci da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em junho. O material foi traduzido com a ajuda dos indígenas Yovini Eulalio e Ignacio Perez. “Ao final da palestra, os representantes de cada abrigo receberam, além da cartilha, galões de álcool em gel e máscaras. Eles ficaram responsáveis por repassar para as demais famílias as instruções aprendidas na palesta e também distribuírem os itens que receberam”, disse a antropóloga Lílian Castelo Branco, coordenadora do abrigo instalado no antigo prédio do Emater.

Outra atividade realizada no abrigo foi um bate-papo virtual com o indígena Elemir Martins da etnia Guarani Ñandeva, residente do município de Caarapó, em Mato Grosso do Sul. Para a coordenadora do abrigo, o diálogo proporcionou a troca de experiência entre os grupos no que se refere ao enfrentamento da doença de acordo com a crença e a cultura indígena, e também para a maior conscientização quanto aos cuidados recomendados pelas instituições de saúde, aos quais parte tem resistência.

“Através desse diálogo, o Elemir tratou de alguns pontos das estratégias que eles têm adotado para a conscientização entre a comunidade, pois para eles tem sido muito complicado a compreensão, principalmente pelos mais idosos, que não compreendem a gravidade da doença. Então, os mais jovens estão engajados nesse trabalho de conscientização produzindo e distribuindo informações sobre a Covid-19. Fica mais fácil essa troca entre eles mesmos. Na cultura indígena é muito forte a questão da coletividade, então ele mostrou que por conta da doença, infelizmente eles teriam que adotar estas estratégias para que eles possam atravessar esse momento sem tantas perdas”, disse.

Um dos indígenas, com 58 anos, foi internado no HGV no dia 11 de junho e veio a óbito em 14 de julho. “No início dos sintomas, ele resistiu bastante a ir junto com a equipe para os serviços de saúde e a fazer um tratamento, o que gerou o agravamento dos sintomas. A equipe da secretaria acompanhou a família em todo o processo funerário. Todos os demais estão bem e não apresentam mais nenhum sintoma”, informou a secretária da Semcaspi, Janaína Carvalho.