Ascom/FMS

A Semana Mundial da Amamentação, celebrada entre os dias 1 e 7 de agosto, despertou novos questionamentos entre gestantes e mães que estão passando por essa fase durante a pandemia de Covid-19. Não há comprovação da transmissão do vírus através leite materno e, por isso, amamentar ainda é a forma mais segura de alimentar os bebês, mas requer uma nova rotina de cuidados para as mães e seus recém-nascidos.

Em Teresina, a Maternidade do Promorar realiza o atendimento exclusivo de grávidas com quadro de síndromes gripais e que apresentem sintomas leves e moderados de infecção pelo novo coronavirus. Mirela Viveiros dos Santos, neonatologista da Maternidade, informa que o local segue todas as orientações do Ministério da Saúde e da Sociedade de Pediatria para um aleitamento seguro para mãe e filho.

“O Ministério orienta que não há necessidade de suspender a amamentação por todas as mães, quer sejam elas assintomáticas, sintomáticas ou com confirmação diagnóstica de Covid-19. Antes e depois do parto, repassamos a mãe e ao seu acompanhante, todas as orientações sobre medidas de precaução para não haver a transmissão do vírus para o bebê. É realizada uma avaliação de riscos e benefícios e, se o bebê está bem e em condições de permanecer com a mãe, eles são colocados em alojamento conjunto e ela pode amamentar em livre demanda, pois todas as medicações que usa são seguras”, destaca.

A equipe da Maternidade também adota um protocolo especifico para evitar a transmissão da infecção para o bebê. O uso de máscara é essencial, assim como o distanciamento de dois metros entre o berço do recém-nascido e o leito da mãe. “O vírus tem um tipo de deslocamento junto com as gotículas de tosse, espirro ou da fala. E com isso, em algum momento que a mãe não está com máscara devido as suas necessidades de alimentação e cuidados de higiene, como tomar banho e escovar os dentes, essas gotículas podem chegar até o bebê se ele estiver próximo”, explica a médica.

Antes da amamentação, a mãe deve fazer a higienização dos braços e antebraços com água e sabão e/ou usar álcool em gel 70%. Durante o processo, ela deve usar máscara facial e evitar falar, tossir ou espirrar. A máscara deve ser trocada em caso de tosse ou espirro ou a cada quatro horas. Após a mamada, todos os outros cuidados com o bebê como dar banhos, colocar para dormir, arrotar, devem ser realizados por outra pessoa que não tenha sintomas ou que não seja também confirmado para Covid-19.

“Após a alta médica, caso a mãe ainda esteja em período de isolamento, os cuidados devem permanecer em casa. Estamos trabalhando assim há mais de três meses e, até o momento, não registramos nenhum caso de bebê que tenha sido infectado quando as mães seguiram todas as recomendações”, comemora Mirela.

BENEFÍCIOS

A amamentação é fundamental para a promoção da saúde das crianças e suas mães. A prática do aleitamento pode proporcionar uma vida mais saudável, diminuindo o risco de doenças crônicas, alergias e infecções em crianças. “A amamentação exclusiva nos seis primeiros meses de vida do bebê tem inúmeros benefícios nutricionais, emocionais, imunológicos, econômicos e sociais e contribui para o desenvolvimento do bebê por toda a vida”, destaca Izabel Santana, nutricionista clínica no Hospital e Maternidade do Buenos Aires.

Ela acrescenta que a amamentação deve ocorrer em livre demanda, ou seja, sempre que o bebê apresentar sinais de que está com fome. A mãe deve procurar um local confortável para este momento e respeitar o ritmo do mamar do bebê. Em Teresina, as maternidades mantêm consultórios de aleitamento materno, onde as mães recebem orientação de nutricionistas sobre as melhores formas de amamentar, armazenamento de leite e introdução alimentar no momento certo.

Além dos muitos benefícios para os bebês, a amamentação tem reflexos na saúde das mães. “Ela diminui as chances de a mãe desenvolver câncer de mama, de útero, ovário, a ter diabetes e pressão alta, além de ajudar a perder o peso que ganhou durante a gestação”, finaliza a nutricionista.