O Hospital de Urgência de Teresina registrou aumento de 11% no número de vítimas de quedas que deram entrada na unidade de saúde em julho deste ano. Ao todo, 448 pessoas sofreram acidentes domésticos deste tipo, a maioria delas idosos e crianças.

O levantamento divulgado, nesta quarta-feira (12), pelo Setor de Estatística do HUT compara os registros de quedas de julho com o mês anterior, que teve 405 atendimentos. Já no primeiro semestre deste ano, foram 3.408 vítimas atendidas na unidade de saúde. Os tipos mais comuns são quedas no mesmo nível (64%), por diferença de alturas (19%) e de sofá, rede ou cama (6%).

Durante o isolamento social, período em que crianças e idosos passam mais tempo em casa, é preciso redobrar os cuidados. “A ideia é proporcionar um ambiente doméstico seguro. Quem tem idoso em casa, deve evitar tapetes e objetos soltos no chão, deixar uma lâmpada acesa à noite para facilitar o direcionamento pelos corredores, implantar corrimãos. Já as crianças gostam de pular em camas e sofás, subir em árvores, e isso requer atenção maior dos pais”, explica Ayrana Aires, ortopedista do HUT.

O diretor geral do HUT explica qual o procedimento deve ser adotado em casos de traumas. “Dependendo da gravidade, a pessoa pode ir à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais perto de casa. Porém, em situações mais graves, deve acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que vai encaminhar o paciente ao HUT para receber os devidos cuidados”, orienta Rodrigo Martins.

O aumento na quantidade de traumas, tais como acidentes domésticos, de trânsito e quedas, reflete diretamente na taxa de ocupação dos leitos não covid. Segundo a direção geral do HUT, o cenário pode se agravar ainda mais já que outros hospitais permanecem com cirurgias suspensas.

“À medida que se amplia a flexibilização, observamos o aumento de vítimas de trauma, sendo que a maioria delas necessita de cirurgias. Porém, esses procedimentos eram feitos em outras unidades da rede pública de saúde, que permanecem sem receber pacientes não covid. Para se ter uma ideia, cerca de 25% das pessoas que dão entrada no HUT são do interior do Estado. Em tempos de coronavírus, é mais um desafio que estamos enfrentando no maior hospital do Piauí”, alerta o diretor geral.