O Hospital do Monte Castelo, que atualmente trata exclusivamente pacientes com Covid-19, inclusive em unidades de terapia intensiva, conta desde este mês, com assistência odontológica para estes pacientes.

Pelas próprias características do novo coronavírus, que tem grande afinidade pelo sistema respiratório, a boca dos infectados também constitui um ambiente extremamente contaminado, e a higienização pode reduzir consideravelmente a carga viral na região bucal e, consequentemente, limitar possíveis focos de infecção.

A diretora geral do Hospital do Monte Castelo, Marilene Siqueira Silva, explica sobre a necessidade desse atendimento. “Esse serviço odontológico implantado nesta unidade de saúde visa reduzir  tempo de internação e os riscos de infecção, principalmente de pneumonia associada à ventilação mecânica”, diz.

Os pacientes hospitalizados recebem orientação de profissional habilitado,  conforme grau de dependência, a fim de evitar danos consequente da alteração da microbiota bucal.

O odontólogo Vinícius Aguiar Lages, plantonista do Hospital do Monte Castelo, explica que pacientes graves, com Covid-19, devido às complicações respiratórias e hematológicas, apresentam grande dificuldade ou mesmo são impossibilitados de manterem o autocuidado com o corpo.

“A higienização da boca faz parte do conjunto de práticas para o bem-estar e a qualidade de vida. Assim, como a cavidade oral é um ambiente em que infecções podem acontecer com muita facilidade devido a vários micro-organismos oportunistas, uma vez que a imunidade já está gravemente comprometida e o paciente não consegue realizar sua higiene bucal, ter um dentista na UTI ajuda no controle de diversas infecções”,  explica Vinícius Lages.

Sobre o atendimento, o odontólogo informa que o paciente é avaliado diariamente por uma equipe para verificar a situação oral, para, assim, notar rapidamente quaisquer alterações que podem causar complicações severas.

“A formação de placa pode prejudicar as funções respiratórias do paciente, então, é recomendável a higiene e aplicação de antissépticos bucais como o digluconato de clorexidina a 0,12%, a cada oito ou doze horas. Secreções que se acumulam na região orofaríngea devem ser aspiradas regularmente, pois podem conter uma concentração alta de agentes patogênicos. Além disso, podem surgir lesões traumáticas ou fúngicas na boca durante a internação, que devem ser prontamente tratadas.

Esses procedimentos devem ser realizados por profissionais que atuam na Odontologia Hospitalar, habilitação reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia em 2015, junto com a equipe de Enfermagem.

Equipe do Hospital do Monte Castelo que faz atendimento odontológico em pacientes com Covid. Foto: Ascom (FMS)