Dentro do ciclo de violência doméstica ou de gênero, muitas mulheres acabam não conseguindo romper o contato com o agressor por não terem como manifestar a violência ou comunicar à família e pessoas próximas sobre as agressões vividas. Nesse sentido, um dos processos para poder acolher a mulher em situação de violência é a escuta qualificada.

De acordo com Joseli Barbosa, psicóloga da Secretaria Municipal de Políticas Públicas para Mulheres (SMPM), o ato é uma escuta empática para compreender o sofrimento de forma cuidadosa e sem julgamentos. Segundo a psicóloga, a escuta é fundamental para a saúde mental das mulheres, seja para aquelas que sofrem algum tipo de violência, quanto para aquelas que vivem duplas jornadas de trabalho, afazeres domésticos, maternidade e outros fatores que afetam diretamente a vida do gênero feminino.

“Ouço muitos relatos e percebo que muitas querem apenas alguém para ouvi-las, um momento só delas, alguém que as acolham e compreenda sem julgamentos”, destaca a profissional, que realiza escutas especializadas para as mulheres atendidas nos três Serviços Florescer, coordenado pela SMPM. “A escuta, é um diálogo com essas mulheres que trazem diferentes demandas, desde os vários tipos de violências e abusos, até outros sofrimentos mentais como depressão e ansiedade provocadas por fatores econômicos e financeiros”, ressalta.

Apesar dos benefícios e impactos positivos na vida das mulheres, a escuta psicológica não substitui a terapia, tendo em vista que é uma intervenção de acolhimento, dando a possibilidade de quem a procura de ser ouvida e acolhida. Porém, existem algumas limitações na escuta, devido ela não se configurar como psicoterapia. Em casos que precisem tratamento mais intenso, as mulheres são aconselhadas e encorajadas a realizarem os encaminhamentos para o tratamento psicológico pelos órgãos da saúde do município.

Joseli destaca que em relação às mulheres que sofrem violência doméstica, muitas chegam fragilizadas para o atendimento. Isso porque, muitas estão/estiveram repetidas vezes dentro do ciclo de violência – principalmente por não reconhecem a violência psicológica como uma agressão. “Com essas mulheres é necessário estabelecer ainda mais um vínculo de confiança, pois muitas delas querem apenas desabafar e relatam medo de denunciar, sendo necessário mais de um encontro para convence-las a procurar a ajuda”, explica a psicóloga.

Procure o Creg

Além dos serviços especializados em saúde mental, é fundamental o acompanhamento fornecido por serviços especializados da Rede de Atendimento à Mulher em Situação de violência, como o Centro de Referência Esperança Garcia (CREG), que contribuem no enfrentamento à situação de violência e fortalecimento da autonomia dessas mulheres.

O serviço atende mulheres em situação de violência doméstica, familiar e de gênero, residentes em Teresina, com idade de 18 a 59 anos, oferecendo assistência jurídica, social e psicológica, além de ofertar Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) e cursos de capacitação profissional.

As mulheres podem ser encaminhadas pela rede de enfrentamento a violência contra a mulher ou acessar diretamente o serviço. As mulheres acompanhadas pelo CREG que possuem Medida Protetiva são monitoradas pela Guarda Maria da Penha. Este atendimento visa a sua proteção e contribui para o empoderamento da mulher.

Onde nos encontrar?

R. Benjamin Constant, 2170 – Centro Norte
Segunda à Sexta, das 08:00 às 17:00
(86) 3233-3798 / 99416-9451

Foto: Divulgação (SMPM)