Integrado às comunidades, teatros municipais continuam formando novos talentos

Teatro do Boi, há 33 anos dando oportunidades para artistas da região Norte / foto: Ascom FMC

O teatro é uma experiência marcante e humana na vida de muita gente. Na capital piauiense, além de ser palco para grandes espetáculos, tem sido uma fonte reveladora de novos talentos, são jovens e adultos que a cada ano ingressam no ramo cultural por meio dos cursos oferecidos pelos teatros mantidos pela Prefeitura de Teresina, por meio da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves. Desde o ano passado, com o início das restrições por conta da Pandemia da Covid-19, estes espaços foram fechados e só voltarão a ser abertos para atividades com público após a vacinação completa de todos os teresinenses, isso para evitar que mais pessoas corram o risco de contaminação.

Um desses espaços é o Teatro do Boi, que desde 1987, é tido como o coração cultural da zona Norte, o mesmo está em um espaço que funciona como um Centro Integrado de Cultura no bairro Matadouro, possibilitando a inclusão social da comunidade que vive em seu entorno.

Para Antoniel Ribeiro, gerente cultural do teatro, o espaço vem ao longo dos seus 33 anos dando oportunidades para artistas da região e formando jovens e adultos que sonham em ingressar no ramo cultural. Ele destaca que apesar de fechado, o teatro vem funcionando internamente e que após a reabertura a comunidade terá acesso a novos projetos.

“Além da escala de rodízios dos funcionários, o teatro está preparando vários projetos para quando acabar a pandemia, voltar com os cursos de teatro presenciais, bijuterias, corte e costura, capoeira, percussão e as turmas do balé”, destaca Antoniel Ribeiro, informando ainda que hoje o local conta com cursos oferecidos de forma remota.

Outro importante espaço cultural da cidade é o Teatro João Paulo II, localizado no bairro Parque Ideal, na zona Sudeste de Teresina, que também está com as portas fechadas ao público por conta da pandemia. Para continuar oferecendo serviços à população, estão sendo ofertados cursos remotos que atualmente atendem cerca de 50 moradores da região.

Lorena Mendes, aluna do curso de violão, oferecido pelo Teatro João Paulo II / Foto: Ascom FMC

Lorena Mendes, de 27 anos, é acadêmica de Educação Física e mora no entorno do Teatro João Paulo II, ela conta que o curso de violão tem ajudado ela a encarar o isolamento social sem prejudicar o seu psicológico. Focada no trabalho e nos estudos, a jovem ainda não pretende atuar na área musical, porém não descarta essa possibilidade.

“A princípio quero concluir meu curso universitário, muito válido, pois não deixa de ser um instrumento para abrir novas oportunidades profissionais. Com a pandemia muitos estão tendo que se adaptar para continuar tendo um trabalho digno”, conta Lorena Mendes.

Scheyvan Lima, presidente da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves, lembra que, além das duas casas citadas à cima, também existe o Teatro de Arena, casa de espetáculos a céu aberto que funciona na Praça Marechal Deodoro da Fonseca, no Centro da cidade e que também é um dos importantes celeiros culturais.
“Neste mês do teatro não pudemos fazer eventos nestes locais, porém tão logo todos sejam vacinados, iremos iniciar novos projetos, projetos estes que visam aproximar mais ainda estes espaços das comunidades”, afirma Scheyvan Lima.

Para mais informações sobre os teatros ou para ficar atento(a) ao calendário de cursos, basta acessar o site fcmc.teresina.pi.gov.br ou seguir as redes sociais da fundação e dos teatros.

Músico renomado fará bate papo com crianças e adolescentes de projeto popular na sexta (19)

Musico terá conversas com jovens estudantes de música / Foto: Divulgação FMC

Com 11 anos de idade, Flaubert Viana começou a dar os primeiros passos no ramo musical, isso com os ensinamentos obtidos na antiga Banda de Música do bairro Lourival Parente, na zona sul de Teresina, banda que fazia parte do Projeto Banda Escola, até hoje mantido pela Prefeitura de Teresina, por meio da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves (FMC).

O bate papo virtual com o músico Flaubert Viana acontecerá de forma gratuita, na próxima sexta-feira (19/03). Segundo o organizador, crianças e adolescentes de outras bandas do projeto também terão acesso a novas rodas de bate papo com ex alunos.

Hoje, com 36 anos e morando no Estado do Ceará, ele é saxofonista, flautista, arranjador, produtor cultural e técnico de gravações. Também tem trabalhos com diversos artistas de renome nacional, como, por exemplo, Solange Almeida, além de trabalhos em grandes emissoras de televisão.

Desta vez ele volta ao projeto de forma virtual, onde terá uma roda de conversa online com alunos da Banda Heitor Vilas Lobos, projeto da Banda Escola que atende cerca de 45 crianças e adolescentes do bairro Piçarreira, na zona leste da capital. O músico fala com alegria sobre as lições aprendidas com os maestros  Simplício Cunha e Lima Cunha. “Comecei ainda criança e sai de lá um homem preparado para o mercado de trabalho e por isso me sinto honrado em ter essa conversa com essas crianças e adolescentes. Irei compartilhar com eles minhas experiências profissionais e a maneira  como o projeto me ajudou a não entrar no mundo da criminalidade”, comenta Flaubert Viana, que já está de malas prontas para uma nova jornada profissional no Estado do Pernambuco.

A Banda Heitor Vilas Lobos é regida pelo Maestro Micael Fideles. Ele conta que essa iniciativa nasceu da ideia de compartilhar com as crianças e jovens as experiências de quem já passou pelo projeto e que hoje vive da música. “Hoje o mercado musical conta com muitos profissionais oriundos do Projeto Banda Escola, por isso no início do ano iniciamos esse projeto de troca de experiências para que nossos alunos se sintam mais motivados a continuarem nas aulas”, diz Micael Fideles, enfatizando ainda que, com o aumento da criminalidade, a cada dia que passa está mais difícil tirar os jovens do caminho da criminalidade.

8 de Março: Semec enaltece papel das mulheres na educação de Teresina

Equipe Semec recebendo homenagens / fotos: Ascom

Na manhã deste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, as trabalhadoras da Secretaria Municipal de Educação (Semec) receberam diversas homenagens. A data celebra as lutas femininas em busca de seus direitos e destaca o importante papel da mulher na sociedade.

Ao chegar para o expediente de hoje, elas foram recepcionadas com música e aplausos dos colegas de trabalho. Em função da pandemia, foram evitadas comemorações que pudessem gerar aglomerações. No entanto, cada setor encontrou uma forma de homenagear suas guerreiras.

O prefeito Doutor Pessoa e o secretário municipal de Educação, professor Nouga Cardoso, estiveram no café da manhã da Gerência de Administração da Semec, onde distribuíram rosas e agradeceram a dedicação de todas. A primeira-dama do município, Conceição Rodrigues, também marcou presença para exaltar as profissionais.

Para o secretário da Semec, o trabalho das mulheres na educação de Teresina é um dos responsáveis pelo título de melhor educação entre as capitais do país. “Tenho muito a agradecer por estar rodeado de mulheres incríveis, fortes e brilhantes, que nos levam tão longe”, disse Nouga.

As mulheres da Secretaria Executiva de Ensino também receberam mimos e lanches individuais. O momento especial contou com a presença de um saxofonista e muitas falas emocionadas.

“Essa é uma pequena homenagem sobre o muito que merecem. Pela dedicação diária, pela força, por serem resistência em um momento tão difícil como este que estamos vivenciando. Parabéns, meninas!”, vibrou a secretária-executiva de Ensino, Valtéria Alvarenga.

Mulheres quebram barreiras da masculinidade na sanfona

Foto: Ascom FMC

Em um mercado composto em sua maioria por homens, sendo mais comum a figura masculina no mundo da sanfona, foi necessário que algumas mulheres dessem o pontapé inicial para quebrar a barreira do machismo imbricada no acordeon. Através dos cursos de sanfona oferecidos pelo Palácio da Música de Teresina, desde 2014, muitas mulheres estão conseguindo adentrar no mercado musical.

Isolda Dantas iniciou seus estudos na sanfona no Palácio da Música em 2021, já aposentada. Ela é um exemplo de paciência e mostra que nunca é tarde para realizar um sonho e iniciar uma nova jornada. “Minha família não deixava eu tocar sanfona por eu ser mulher, meu pai tocava pra sustentar a família e isso era encarado só como um trabalho, não como uma arte. Como existia um respeito enorme de filhos para com os pais, nunca me atrevi a tocar nos instrumentos dele. Hoje, estou aposentada e fazendo muitas coisas que não podia fazer por não ter tempo ou permissão. Eu tinha que trabalhar e sustentar a família, pois sempre fui provedora dela.”, conta Isolda Dantas.

Nesta área também acompanhamos casos onde a família inspira as futuras musicistas e os papéis são trocados, onde, de estímulo, os pais passam a serem os estimulados. “Meu pai, Juarez Moura, é sanfoneiro, mas aprendeu a tocar o instrumento sozinho na adolescência, sem técnica e, por isso, não consegue ensinar. As bases do que temos hoje foram construídas sobre o trabalho dele como sanfoneiro. Desde criança vivo cercada pelo acordeom, ouço ele tocando e consertando o instrumento. Por esse motivo me interessei em aprender a tocar sanfona. Ele consegue tocar ouvindo a música, mas sem técnica.”, explica Joaria Moura, que agora, com o acesso à teoria e prática técnica da sanfona, ensina o que aprende a seu pai.

Ainda há certo estranhamento quando mulheres são avistadas tocando sanfona. Mas a música, como toda forma de expressividade artística, existe para diminuir segregações físicas e ideológicas. “Sanfona é o instrumento mais lindo do mundo. Sempre vi os homens tocando e era muito comum, precisava de força e nada melhor que a mulher, para além da sua doçura, completar a beleza deste instrumento. O desejo de tocar sanfona emergiu quando percebi que poderia alcançar corações, almas, lembranças. Quando percebi que poderia emocionar e ser emocionada. Antes, eu já gostava, porque Gonzagão pra mim é indescritível. Mas quando vi, em uma novela, a Lucy Alves tocando, tive a certeza que era o melhor investimento que eu poderia fazer”, exalta a aluna Carol Santos.

Algumas alunas têm um progresso técnico tão grande que ganham destaque perante os professores. Écore Nascimento já era cantora quando resolveu se dedicar também à sanfona. E ela se empenhou com tampo afinco, que em apenas um ano foi convidada pelo maestro Ivan Silva a ser mais um membro da Orquestra Sanfônica Seu Dominguinhos, grupo de sanfona profissional mantido pela Prefeitura de Teresina. “Eu sempre amei estar no meio musical, seja cantando ou só apreciando. Acompanhava o trabalho da Orquestra Sanfônica e aquilo sempre me tocava. Com o surgimento do grupo ‘As Fulô do Sertão’, no qual eu já fazia parte como cantora, veio o último pontapé pra que eu me matriculasse no curso de acordeon, no Palácio da Música. A minha dedicação era proporcional à minha paixão e logo outras portas se abriram. Hoje sou a acordeonista do grupo (As Fulô) e também da Orquestra Sanfônica. Por ser mulher, muitos desafios surgiram, como o peso do acordeon, o preconceito por parte dos músicos mais experientes, etc. De fato, no meio musical, ainda era algo novo na época. Hoje, graças a Deus, temos a oportunidade de poder inspirar outras garotas e mostrar nossa capacidade.” Hoje, além de instrumentista, ela é coordenadora, produtora e única mulher da Orquestra.

O Palácio da Música é mantido pela Prefeitura de Teresina, por meio da Fundação de Cultura Monsenhor Chaves. Para mais informações sobre novas turmas, basta acessar o site fcmc.teresina.pi.gov.br ou seguir as redes sociais da Fundação Monsenhor Chaves e do Palácio da Música.

Jovens do Grande Dirceu ingressam no ramo musical por meio de projeto popular

Fotos: Ascom FMC

Dezenas de jovens do Grande Dirceu, região localizada na zona Sudeste de Teresina, já realizaram o sonho de ingressar no ramo musical. Eles encararam essa nova jornada através da Banda Infanto Juvenil Maestro Duda, que funciona no Escolão do Parque Itararé. No último ano cerca de 80 jovens passaram pelo projeto, destes, 40 ainda estão atuando de forma ativa com aulas semanais realizadas de forma remota por conta da pandemia da Covid-19.

Através da banda os participantes têm acesso às aulas de guitarra, trombone, clarinete, saxofone, tuba, bateria, trompete, tudo de forma gratuita, dando oportunidade a jovens da região que em sua maior parte não têm acesso a cursos particulares. Com idade mínima de dez anos para ingressar na banda, muitos já estão atuando no mercado musical de forma profissional, como é o caso do Tiago de Oliveira, de 23 anos, que, em 2010, entrou no projeto e agora, além de ser microempresário, toca em bandas de forró da capital. “Entrei no projeto por curiosidade e não sabia manusear nenhum instrumento, com o tempo me apaixonei pelo trompete e hoje sou um profissional”, conta Tiago Oliveira, enfatizando ainda que além do aprendizado, ele teve forças para deixar as más influências.

Tiago de Oliveira, de 23 anos, foi aluno da banda e agora atua em bandas de forró da capital

Enquanto uns já atuam de forma profissional, outros trilham o mesmo caminho. Íkaro Eduardo, de 14 anos, entrou no projeto recentemente com o intuito de realizar o sonho de infância de tocar algum instrumento. “Estou muito feliz com minha desenvoltura na banda e agora o meu sonho é outro, quero entrar no mercado musical”, afirma íkaro Eduardo.

Outro que já foi aluno e que agora atua de forma profissional é o Maestro Duda, que por sinal é o professor responsável por profissionalizar esses jovens. Ele conta que se sente realizado, pois foi aluno do escolão, da banda e agora pode ensinar à garotada tudo aquilo que aprendeu ao longo dos anos. “Entrei na banda em 1996 e em 2008 me tornei maestro. Hoje tento mudar vidas, pois como todos sabem, a luta para tirar um jovem do mundo da criminalidade é muito grande e sinto que estando aqui estou fazendo minha parte para um mundo bem melhor”, comenta o Maestro Duda, enfatizando ainda que nunca pensou que um dia seria maestro.

A Banda Infanto Juvenil Maestro Duda faz parte do Projeto Banda Escola, que é mantido pela Prefeitura de Teresina, através da Fundação Cultural Monsenhor Chaves. Para mais informações sobre o projeto ou disponibilidade de vagas, basta acessar o site www.fcmc.teresina.pi.gov.br ou seguir as redes sociais da Fundação Cultural Monsenhor Chaves ou do projeto.

Prefeitura de Teresina discute parceria com movimentos hip-hop da capital

A convite do prefeito de Teresina, Doutor Pessoa, diversas entidades ligadas ao movimento hip-hop da capital estiveram na manhã desta segunda-feira (15) reunidos com o poder público municipal no Palácio da Cidade para discutir formas de parcerias para o desenvolvimento de ações voltadas para este segmento.

Na ocasião, o prefeito frisou que todas as manifestações artísticas e culturais da cidade serão respeitadas pela gestão municipal. “Todos serão inseridos. Não há lugar no mundo que caminhe sem cultura e arte. Estamos chamando a atenção para embelezar nossa cidade e tirar nossas crianças e jovens da delinquência, através da arte e da cultura”, afirma.

“Entendemos a importância do hip-hop como uma forma de expressão cultural e a Prefeitura de Teresina, na gestão do Doutor Pessoa, quer ajudar nisso. Estamos abertos aos projetos, queremos conhecer cada um deles para saber o que será proposto ao município e como poderemos ajudar”, completou Lucas Pereira, secretário municipal de Comunicação.

Inicialmente, acertou-se que a Fundação Monsenhor Chaves atuará na qualificação dos artistas, além da possibilidade da criação de um espaço onde os mesmos poderão não somente desenvolver suas atividades, mas também oferecer oficinas de dança, rap, grafitagem e outras manifestações artísticas à comunidade teresinense.

“Essa sensibilidade do prefeito mostra que nós, do movimento hip-hop, poderemos ter mais espaço para desenvolver nossas atividades”, destaca José Eduardo “Alemão”, representante da Nação Hip-Hop em Teresina.

Exposição Na folha, Na terra, Tem erê, Tem anciã continua na Galeria do Mercado Velho

Exposição segue aberta ao público/ Foto: Ascom FMC

Ainda dá tempo de conferir a exposição “Na folha, Na terra, Tem erê, Tem anciã”, que coloriu, nos últimos meses, as paredes da Galeria de Artes Visuais do Mercado Velho, localizado no Centro de Teresina. Com produção do Coletivo Latinas, a mostra que estava prevista para encerrar dia 3 de fevereiro, mas seguirá aberta por mais alguns dias devido a boa visitação.

“Na folha, Na terra, Tem erê, Tem anciã” marcou o retorno da Galeria, que teve de suspender suas atividades devido a pandemia da Covid-19, mas isso não impediu a exposição de ser um sucesso e contar com a presença de muitas pessoas em todo esse período.

As artistas Aline Guimarães (Línea) e Jamires Martins (Jamm), responsáveis pelas obras, apresentam em cada uma das telas e instalações, traços que trazem memórias da infância, aproximando-nos de laços ancestrais e também das ligações com a natureza.

“A gente traz, especialmente, uma pesquisa que temos desenvolvido sobre a tinta de terra (geotinta) que é natural e estamos investigando e usando em nossas obras essa nova forma de criar, pintar e entender arte como parte de nós”, diz Línea.

A exposição retrata a ancestralidade e espiritualidade e conta com a curadoria da artista Mika, que já teve participação em outros projetos da Galeria.

“Essa experiência em curadoria tem aberto mais o meu campo de conhecimento dentro das artes visuais, além dessa exposição trazer temáticas que dialogam com esse espaço que guarda muito da nossa memória local”, afirma Mika, produtora da exposição.

A exposição encontra-se na Galeria do Mercado Velho, que é mantida pela Prefeitura de Teresina por meio da FMC e desenvolve um importante trabalho ao contribuir com a revitalização do centro da cidade e ainda proporcionar um espaço para novos e consagrados artistas exporem seus trabalhos.

Lei Aldir Blanc: artistas desenvolvem projetos culturais em Teresina

A pandemia de Covid-19 tem afetado muitos setores em Teresina, um deles foi o da cultura, um dos primeiros atingidos com as medidas de distanciamento social. Na capital piauiense, 188 projetos culturais foram contemplados com o Edital da Lei Aldir Blanc, dentre eles, os que envolvem a gravação de DVDs promocionais, realização de lives, confecção de livros, apresentações folclóricas, dentre outros.

A cantora Beth Moreno foi uma das beneficiadas com o edital. Ela, que tem quase 30 anos de carreira, conta que a classe passou por momentos difíceis durante a pandemia, porém, com o auxílio recebido, ela pôde gerar renda para sua equipe gravando um DVD que também servirá como fonte de renda extra.

“Hoje, graças ao Edital da Lei Aldir Blanc, me sinto uma artista realizada, pois realizei meu sonho de gravar um DVD totalmente profissional com alto nível musical”, afirma a cantora, enfatizando ainda que seu novo material de trabalho vem com músicas autorais compostas por seu pai, o Maestro Luiz Santos e seu irmão José dos Santos.

Enquanto uns gravam DVDs, a Banda Os Cabas do Forró resolveu aplicar os recursos na realização de uma live que foi transmitida pelo YouTube no começo desta semana. Segundo o cantor Vicente Visgueira, de 61 anos, que é o responsável pela banda, os recursos recebidos ajudaram os músicos e ainda serviram para promover o trabalho dos artistas.

“Fiquei muito feliz por ter o meu projeto aprovado, pois como vivemos apenas da música, tem sido muito ruim enfrentar toda essa situação”, conta o músico reafirmando que os recursos da Lei Aldir Blanc chegaram na hora certa.

De acordo com Scheyvan Lima, presidente da Fundação Monsenhor Chaves, que é o órgão da administração pública municipal responsável pela política cultural, em Teresina foram investidos cerca de seis milhões de reais em projetos apresentados por artistas locais.

“Sabemos das dificuldades enfrentadas pela classe artística em nossa cidade, por isso os técnicos da FMC trabalharam para atender um grande número de profissionais e projetos”, conta o presidente, afirmando ainda que, por medida de segurança, está sendo estudando o adiamento de projetos que possam gerar aglomerações de pessoas.

A Lei Aldir Blanc (Lei nº 14.017, de 29 de junho de 2020), criada pelo Governo Federal, define ações emergenciais destinadas ao setor cultural durante o estado de calamidade, em função da Covid-19. Na capital piauiense, o edital foi executado pela Prefeitura Municipal de Teresina, por meio da Fundação Monsenhor Chaves.

A cantora Beth Moreno foi uma das beneficiadas com o edital Foto (Ascom/FMC)

Fred Taimo é contemplado na Lei Aldir Blanc e faz live neste sábado (30)

Artista fará live com clássicos do samba, choro e bossa nova Foto: Divulgação

Para quem estava com saudade de prestigiar uma roda de samba, o cantor Fred Taimo fará uma live, neste sábado (30), a partir das 14h em seu canal no YouTube.

O artista foi um dos contemplados pela Prefeitura de Teresina, através da Fundação Monsenhor Chaves (FMC), na Lei de Auxílio Emergencial Aldir Blanc, que busca valorizar a nossa cultura e prestar apoio neste momento de pandemia.

O formato de live foi escolhido para garantir a segurança do artista e do público, uma vez que a pandemia segue atingindo vários teresinenses e os shows com público não podem ser realizados. “O setor artístico foi um dos mais afetados pela pandemia e esse benefício da lei veio para ajudar nós, artistas, que não podíamos traballhar”, conta Fred.

Fred Taimo é natural de São Paulo, mas mora em Teresina desde 2002. Começou a tocar aos 13 anos de forma intuitiva participando de rodas de samba e pagode ainda em sua cidade natal. Quando chegou a Teresina não demorou a participar das rodas de samba promovidas pelos grupos locais, como instrumentista e cantor. Atualmente, faz um trabalho voltado aos clássicos do samba, choro e bossa nova.

Para acompanhar a transmissão, acesse: www.youtube.com/fredtaimo.

 

Balé da Cidade busca alternativas para não parar durante o isolamento social

Coreógrafo e bailarino do Balé da Cidade, Adriano Abreu Foto (Ascom/FMC)

O isolamento social, necessário por conta da pandemia, pegou a todos de surpresa e fez com que muitos profissionais repensassem a forma de continuar produzindo dentro dessa realidade. Para quem trabalha com arte e público, foi um desafio olhar para as quatro paredes de sua casa e repensar seus modos de produzir.

Nesse período, o Balé da Cidade de Teresina não parou. A Companhia seguiu com sua rotina de encontros, à distância e online, e seguiu trabalhando através das plataformas digitais, compartilhando com o público aulas e conversas sobre dança e o fazer artístico.

E foi também nesse contexto que nasceram duas criações do Balé da Cidade: o espetáculo online Morada e a ação de rua Comensura. As duas produções buscaram na realidade da pandemia sua inspiração para dançar esse momento e apresentar um olhar artístico sobre esse “novo normal”.

Para Janaína Lobo, artista da dança e coordenadora artística do Balé da Cidade, três coisas serviram de inspiração: sua formação em arquitetura, pensar em um “registro” desse momento e o desejo de realizar uma criação pela Companhia. “Eu, como arquiteta de formação e interesse pessoal, sempre gostei muito das casas das pessoas. Sempre entendi que as casas são corpos, falam muito sobre quem mora em cada lugar. Então, sempre tive esse fascínio. Além disso, entendi que ainda iríamos passar um bom tempo trabalhando em casa. Quando me deu esse clique, pensei em usar esse momento para criar alguma coisa que vire um registro para a posteridade, da gente que passou por isso e como isso reverberou artisticamente. Um terceiro ponto é que eu já estava na pilha de criar para o Balé. Essa é a minha primeira criação com a Companhia”, diz.

Já para o coreógrafo e bailarino do Balé da Cidade, Adriano Abreu, tudo começou com uma inquietação que só crescia com o isolamento e a saudade de ter contato próximo com o público. “Foram meses morando sozinho e privado de exercer minhas ações corriqueiras que vinham desde a criação, apresentações e uma necessidade de se alimentar pelo contato com o outro. Estava sendo difícil não contar mais com o contato físico, mesmo reinventando a forma de criar dentro do Balé, ainda assim, eu enquanto artista buscava preencher o vazio que o não presencial trouxe. Foi incrível perceber as novas possibilidades nessa situação pandêmica, mas em mim existia a ânsia de voltar, de se encontrar e quebrar as impossibilidades que o virtual também traz consigo”, explica.

Morada foi à primeira criação. Janaína criou o espetáculo totalmente online. As reuniões com a equipe, o estudo de lugares para dançar dentro da casa de cada bailarino, a ideia de cada movimento, a forma de apresentar e a transmissão. Desta forma, foram apresentadas três temporadas através de plataformas de vídeo. “O Morada foi realmente feito à distância. Ficou como característica da obra ela ser ensaiada, pensada e todo o processo online; por exemplo: eu nunca fui à casa de ninguém. Teve muita insegurança no começo, tiveram momentos que me senti perdida. Foi um processo achar como funcionava a comunicação para essa criação. Apresentar também foi um experimento. Podia ter dado tudo errado. Eu, pelo menos, como criadora, ainda me sinto tateando essas plataformas, esses outros jeitos de criar. Então, acho que cada apresentação foi nos ensinando algumas coisas”, conta a coordenadora.
Já o Comensura se realizou como uma ação de rua. Por duas vezes, após a diminuição de casos de Covid-19 em Teresina e com a flexibilização, os bailarinos da Companhia ocuparam praças do centro da cidade.

“A minha proposição para os bailarinos do Balé da Cidade de Teresina veio justamente a fim de esmiuçar, compartilhar, e nos fazer questionar o novo modo de ir para o mundo, de trabalhar, se relacionar com o outro e ainda tentar se manter saudável. Os corpos reagiram de maneiras peculiares. A pesquisa em torno do contato se baseou no estudo de medos, encorajamento, preocupação e alerta. Observamos a medida exata permitida e a superproteção do corpo, que trouxeram dentro desse processo, ainda em descoberta, o confronto com a rua, com o contato mensurado, a informação e tentativa de conscientização para dizer que o fato de estarmos de volta não significa que tudo acabou”, finalizou Adriano.

Morada e Comensura são ações artísticas que têm como ponto de partida comum as vivências dos artistas do Balé da Cidade de Teresina na pandemia. As criações trazem sentimentos e questionamentos sobre o que foi vivido individualmente que, em algum grau, foi vivido pela população como um todo trazendo reflexões e criando possibilidades de relação, já que a arte opera trazendo possibilidades de realidade.

Sobre a Companhia

O Balé da Cidade de Teresina é uma companhia pública de Dança Contemporânea que vem atuando no cenário artístico local e nacional, contribuindo com o desenvolvimento e aprofundamento da dança piauiense. Vem aproximando a dança da cidade, através da sua atuação compromissada em diferentes ações, como temporadas de apresentações públicas, conversas e formação continuada.
O Balé da Cidade de Teresina conta com 18 bailarinos e é mantido pela Prefeitura Municipal de Teresina, através da Associação dos Amigos do Balé da Cidade de Teresina e da Fundação Monsenhor Chaves. Tem direção geral de Chica Silva, coordenação artística de Janaína Lobo e ensaios de Carla Fonseca.